Tratamentos

Lipoaspiração / Lipoescultura

abdómenA lipoaspiração é um procedimento cirúrgico, qualquer que seja a técnica utilizada e como tal sujeita a complicações. Mesmo a dita lipoaspiração não invasiva, em que supostamente não existe introdução de cânulas ou incisões não é isenta de complicações.

Actualmente podemos dividi-la em lipoaspiração invasiva, processo pelo qual através de pequenas incisões, posicionadas de acordo com a área a tratar, se introduz cânulas de espessura variável que vão aspirar a gordura em excesso. Dentro da lipoaspiração invasiva existem essencialmente 3 métodos: o tradicional, a vibro lipossucção e a laser.

A lipoaspiração não invasiva ou cavitação é um método que conjuga radiofrequência e ultrassons, que aplicados sobre as áreas a tratar, provocarão aquecimento e  destruição das células adiposas, seguido de eliminação pelo fígado e rim do conteúdo destas células. Para notar algum efeito, implica realizar uma dieta rigorosa durante o tratamento, exercício físico até 4h após realização do procedimento e logo a seguir uma drenagem linfática. Proliferam as máquinas de cavitação e é um procedimento feito por esteticistas. Os aparelhos provocam uma destruição mais ou menos profunda de gordura consoante o tipo. A gordura entra na corrente sanguínea e aumenta os níveis de colesterol, potencializando problemas cardíacos. Existe também risco de queimadura da pele na área tratada com lipocavitação. Existe contra-indicações, tais como, gravidez, diabéticos, doenças do rim e fígado, colesterol alto, hipertensão, doença cardíaca, obesidade, processo infeccioso na zona a tratar, varizes, flebite, próteses, placas ou parafusos metálicos no corpo. Não ganhe grandes expectativas com os resultados, pode notar pequenos resultados em pequenas gorduras localizadas, mas terá de realizar dieta rigorosa e a maior parte das vezes, é a esta que se deve o resultado. Não quero com isto dizer para não experimentar, mas sempre tendo em conta o que foi explicado e que ao parar o tratamento e a dieta, vão voltar os tais depósitos de gordura. E em muitos casos, não surge qualquer efeito.

A lipoaspiração invasiva é o único método eficaz de extrair a gordura, porque ela é mesmo extraída. E habitualmente não volta, a não ser que aumente excessivamente de peso, ou em certos períodos de alteração hormonal como doenças, gravidez, menopausa. Mesmo os pacientes que posteriormente aumentam o peso, verifica-se que as zonas lipoaspiradas não aumentam de volume como as outras, isto porque as células adiposas foram mesmo extraídas.

Na lipoaspiração invasiva, independentemente do método usado, o mais importante em relação aos resultados, é a qualidade da pele inicial e a experiência do profissional que executa a lipoaspiração.

Ideias como a vibrolipossucção e a lipoaspiração a laser permitirem um melhor resultado, isto é, maior retracção cutânea e tratamento da celulite na maioria dos casos não é verdadeiro. A vibroliposucção é mais uma ajuda para o cirurgião, do que um factor positivo para o resultado da lipo, pois consiste num aparelho que exerce movimentos vibratórios na cânula, que facilitam a progressão da cânula no tecido adiposo, sem necessidade de o cirurgião realizar tanta força. Necessita também de anestesia local ou sedação. E o tempo de recuperação, assim como os resultados são idênticos aos da lipoaspiração tradicional.

A lipoaspiração a laser, necessita também de anestesia, habitualmente local e consiste na introdução debaixo da pele de uma cânula que possui um laser, que vai produzir um aquecimento das células adiposas de cerca de 300º C, provocando a sua rotura, como se a gordura derretesse. Esta gordura líquida será de seguida aspirada por outra cânula. Teoricamente está associada a menor irregularidade da pele, menos flacicez e recuperação mais rápida. Existe um risco de queimadura da pele e também de lesão de estruturas internas como nas outras lipoaspirações. Geralmente sai mais cara que os outros métodos invasivos. Pelo seu maior poder de retracção da pele, pode ser indicada em zonas onde a pele se encontra mais flácida, como abdómen ou face interna das coxas. Mas nem sempre se verifica maior retracção.

A lipoaspiração tradicional, consiste na aspiração, através de um sistema de vácuo, com cânulas finas. É sempre utilizada a técnica tumescente. Os resultados em mãos experientes, são tão bons quanto com as outras técnicas.

As equimoses e o edema a seguir à lipoaspiração invasiva, surgem independentemente da técnica usada e tem mais que ver com a reacção individual do organismo ao trauma e com a zona tratada, do que propriamente com o tipo de aparelho utilizado.

A lipoaspiração não deve ser vista como um meio de emagrecer, mas sim de modelar o corpo, retirando gorduras localizadas e por vezes injectando-a noutras zonas necessitadas, a chamada lipoescultura. Está indicada quando existem gorduras localizadas que habitualmente não diminuem com dieta ou exercício físico. Pessoas obesas são aconselhadas primeiro a emagrecer um pouco e a adoptar um estilo saudável alimentar e de exercício físico, pois desta maneira o risco de complicações é menor, os resultados melhores e mais duradouros. Não deve pensar em fazer uma lipoaspiração para de seguida continuar com uma alimentação ou um estilo de vida desregrado. Claro que a lipoaspiração pode ser feita mais que uma vez, mas não é muito sensato, pelo risco de complicações e porque a pele vai ficando mais flácida. A lipoaspiração não deve ser feita quando existe flacidez cutânea acentuada, pois a pele não retrai ou retrai menos nestes casos.

Áreas do corpo que podem ser aspiradas, sem grande risco de flacidez secundaria, pois a pele habitualmente retrai, são o dorso, flancos, joelhos, trocanteres, pernas. Cuidado com outras regiões nomeadamente face interna das coxas, face interna dos braços e abdómen. A lipoaspiração abdominal deve ser evitada e só em último recurso deve ser feita, porque é a zona a meu ver mais problemática. Existem mulheres que foram submetidas a lipoaspiração abdominal e ficaram com a pele cheia de irregularidades, incapazes de serem corrigidas, pois a lipoaspiração foi muito agressiva, a pele era de má qualidade. Cuidado pois com a lipoaspiração abdominal, não se entusiasme muito com o resultado e sobretudo desconfie do cirurgião que lhe garante um óptimo resultado nesta zona. Além de que após 5 a 10 anos, à medida que vai envelhecendo, a pele do abdómen é das que sofre mais em termos de perda de elasticidade, ora uma lipoaspiração feita anteriormente, a qual leva a destruição de septos fibrosos, necessários ao suporte da pele, agrava ao longo dos anos esta perda de elasticidade. Na prática o que se vê, abdómens com pele irregular e com depressões após os 40 anos, causado por uma lipoaspiração abdominal feita numa idade mais jovem, muitas das vezes feita sem indicação correcta, pois por vezes uma dieta e exercício físico seriam suficientes, noutros casos de excesso de pele, a abdominoplastia seria o indicado.

A lipoaspiração não elimina celulite, mas nalguns casos pode melhorar. Ao destruir septos fibrosos que existem entre a pele e a gordura, como se de alicerces se tratassem, pode agravar em mãos menos experientes e nalgumas zonas a celulite. É importantíssimo a avaliação inicial pre-lipoaspiração, pelo médico. Áreas problemáticas, como o abdómen e a face interna das coxas, são as que obrigam a maior rigor de avaliação, técnica correcta e a drenagens linfáticas a seguir obrigatoriamente. No passado era muito vulgar lipoaspirações de grandes volumes com cânulas grossas, o que acarretava riscos grande de complicações graves e grande morbilidade. Actualmente, as cânulas usadas são mais finas e associa-se uma lipoaspiração mais uniforme e superficial, de modo a obter resultado com pele mais uniforme e menos risco de complicações.

Raramente a lipoaspiração é feita em doentes obesos, pelo risco de complicações, mas pode ser feita por vezes para criar um estímulo para perder peso em pacientes que não conseguem disciplinar-se, por exemplo diminuir ligeiramente o volume do tronco ou das coxas, o que vai permitir uma maior capacidade de mobilização e assim iniciar um esquema regular de exercício físico. Nestes casos pode ser feita em dois ou três tempos, espaçados à volta de 6 meses, de modo a estabilizar a retracção cutânea.

Quando se destrói e aspira gordura, destrói-se vasos sanguíneos e ocorre sangramento. Este sangue é aspirado conjuntamente com a gordura e leva a que no pos-operatório de grandes lipoaspirações ocorra uma baixa de hemoglobina e portanto uma anemia por perda. Mesmo utilizando a técnica tumescente, que consiste em injectar e infiltrar a gordura que se vai aspirar com uma mistura de químicos e soro gelado, de modo a diminuir o sangramento, não é prudente aspirar mais de 5 litros, pois a perda sanguínea é grande. Por vezes recorre-se à auto-transfusão de sangue, que consiste em realizar uma colheita do próprio sangue uma semana antes da lipoaspiração, o qual é armazenado e tratado, de modo a poder ser transfundido no final da lipoaspiração e assim compensar a perda de sangue que ocorreu durante a lipoaspiração.

Apesar de ter evoluído bastante, o conceito de fazer "uma lipoaspiração à hora do almoço", não é de modo nenhum correcto, mesmo tratando-se de uma pequea lipoaspiração e utilizando as técnicas mais modernas, não deixa de ser uma cirurgia, com todos os riscos inerentes à cirurgia.

As cicatrizes são mínimas e posicionadas em pregas cutâneas, sempre que possível, de modo a não serem visíveis e habitualmente clareiam em um ano.

A anestesia usada pode ser local, sedação, epidural ou geral, dependendo de vários factores, entre os quais, a quantidade e a localização da área a aspirar. A necessidade ou não de internamento está também dependente destes factores.

O pos-operatório pode ser desconfortável, aliás é habitualmente o procedimento cirúrgico estético mais desconfortável, apresentando edema e equimoses variáveis com a localização e a susceptibilidade individual. Os analgésicos e a drenagem linfática local aliviam os sintomas. Os locais das incisões são protegidos com pensos, de modo a poder tomar banho normalmente.

A recuperação varia entre 3 a 4 semanas. No dia seguinte a ter feito uma lipoaspiração vai estar mais inchado, com a sensação de não haver redução de volume, "estou mais gorda, que antes e roupa não me serve". Apresentará também equimoses em maior ou menor grau. Pode sentir-se mais cansada e por vezes com tonturas, especialmente em lipoaspirações superiores a 2 litros ou se tem tendência a tensão arterial baixa, por causa da baixa de hemoglobina descrita acima. Recomendo pois repousar 2 a 3 dias em pequenas lipoaspirações e uma semana em maiores. Grandes lipoaspirações em associação dos membros inferiores, abdómen, etc., obrigam por vezes a repouso superior a uma semana , pois os pés incham muito e é muito desconfortavel

É importante na fase de recuperação usar uma cinta de compressão elástica e a realização de drenagem linfática manual, de modo a recuperar mais rapidamente e evitar fibroses. Deve também manter uma alimentação equilibrada e algum grau de exercício físico. O seu médico lhe dirá quando pode começar o exercício físico e que exercícios poderá fazer.

O inchaço começa a diminuir devagar na 2ª semana apos a lipoaspiração, ao fim de um mês já nota resultados, ao fim de dois já apresenta praticamente o resultado final, mas até ao 6º mês a pele ainda retrai mais um pouco, portanto um resultado final de uma lipoaspiração só ocorre ao fim de cerca de 6 meses. É por esta altura, que a avaliação da necessidade e benefício ou não, de retoques deve ser feita.

Deve evitar exposição solar directa durante 2 meses e mesmo após este tempo, cuidado com a exposição solar, pois apesar de a pele parecer já normal e não sentir os tecidos sensíveis, ainda existe inflamação dos tecidos, o que pode levar ao aparecimento de manchas de pigmentação da pele, que por vezes não desaparecem. A estabilização dos resultados de uma lipoaspiração, quer o desaparecimento de inflamação, quer a retracção cutânea, pode levar mais de 6 meses. Hipersensibilidade cutânea pode perdurar mais de um ano.

A lipoaspiração não é isenta de complicações, alias, é dos procedimentos, onde o risco de complicações graves é maior, embora extremamente raras actualmente, pois as técnicas quer de lipoaspiração, quer anestésicas evoluíram imenso.

Imagens antes e depois


voltar